Parceiro de longa data de nomes da música brasileira como Paulinho da Viola, Djavan, Gilberto Gil e Milton Nascimento, o músico cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa também é um escritor reconhecido mundo afora. No próximo domingo (18), ele se apresenta no Festival Giro Conecta, em Salvador, como convidado do paraibano Chico César e do grupo baiano Aguidavi do Jêje.
Já na terça-feira (20), lança ‘O Livro que me escreveu’, que chega aos leitores através da parceria Solisluna Editora/ Selo Emília. O lançamento será às 14h, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), com mesa promovida pelo Festival Giro Conecta, com o tema ‘Como a música afro-caribenha tem moldado o mundo da música’. Também haverá sessão de autógrafos.
Na obra, o autor nos convida a imaginar o mundo como uma grande biblioteca, onde os livros fazem parte da vida cotidiana, onde todos leem e partilham histórias. O mote é um acontecimento real com o escritor colombiano Gabriel García Márquez e sua esposa, Mercedes, na ocasião do envio dos originais de ‘Cem anos de solidão’ para uma editora.
“Cem Anos de Solidão”: onde tudo começou
“Eu estava lendo ‘Cem anos de solidão’ pela centésima vez e me perguntei o que seria da humanidade sem esse livro. E então nasceu uma ideia de escrever um livro que depois desaparece e também aproveitei para fazer uma homenagem a García Márquez contando a própria história verídica das peripécias, das aventuras que ele viveu para escrever esse livro grande da literatura universal, a fome que ele passou, as dificuldades para pagar o aluguel e os filhos e toda essa história, e eu imaginei se isso tivesse acontecido com o livro dele”, explica o escritor.
‘O Livro que me escreveu’ retorna às livrarias brasileiras pelas mãos da editora baiana Solisluna, em parceria com o Selo Emília (anteriormente, a obra havia sido lançada pela Dom Quixote/LeYa). É o quinto romance de Mário Lúcio Sousa e seu terceiro livro publicado no país.
Solisluna, Pilar del Rio e Chico César
Editora da Solisluna, Valéria Pergentino diz que o trabalho é uma verdadeira ode aos livros e ao ato de escrever: “A obra celebra a potência da palavra, reconhecendo que um livro não nasce sozinho: ele é fruto do amor e do encontro entre quem escreve, quem edita e quem lê. Ao valorizar o autor, a escrita, o editor e os leitores, Mário nos lembra que os livros também nos constroem, nos transformam e, de certa forma, nos escrevem ao longo da vida”.
Para a edição brasileira, o texto foi mantido tal qual o original. “A minha opção por escrever segundo a grafia antiga é por respeito à minha tradição oral, onde a minha literatura vai beber. Convido o leitor a ler entre duas línguas, a ver a escrita certa por linhas tortas, a viver a sensação de estar ali com o escritor e seu povo e compreender uma outra forma de tratar a língua. É mais enriqueceder. É como se todo o mundo pudesse ler os autores na sua língua materna e na sua escrita paterna, sem traduções ou conversões”, destaca o autor em nota que abre o livro.
O texto de apresentação é da escritora e jornalista Pilar del Rio, presidenta da Fundação Saramago, sua grande amiga. “A Pilar del Rio adorou o livro, ela conheceu o manuscrito e não fui eu que pedi, foi ela que, ao ler o livro, me escreveu e foi esse texto na íntegra que eu pedi autorização para usar. Ela é uma grande promotora desse livro, já ofereceu muitos exemplares a muita gente de vários lugares do mundo”, garante Mário Lúcio. Parceiro musical de longa data, Chico César assina a orelha.
A obra foi lançada no ano passado em São Paulo e no Rio de Janeiro. A expectativa para o lançamento em Salvador é grande: “Espero muito que seja um lançamento festivo, porque a nossa literatura se parece. A literatura de Cabo Verde tem muita mão de Jorge Amado, sempre teve, como tem mão do Nordeste, de Graciliano Ramos, do Zé Lins do Rego. Tem muita parecência entre a literatura nordestina e a literatura de Cabo Verde. Então, espero que esse encontro na Bahia revele novos caminhos”.
O autor
Mário Lúcio Sousa [Tarrafal, Ilha de Santiago, Cabo Verde, 1964] é escritor, cantor e compositor. Foi Ministro da Cultura de Cabo Verde no período de 2011-2016. Uma das figuras mais reconhecidas da cena cultural literária e musical do país, é autor dos romances A última lua de grande homem (2022), O diabo foi meu padeiro (2019), Biografia do língua (2015), O novíssimo testamento (2010), todos publicados pela Dom Quixote/Leya. Tem também Biografia da língua (Imã Editorial) e Meu Verbo Cultura: escritos amorosos sobre cultura e desenvolvimento (Edufba), com organização de Cláudia Sousa Leitão, que reúne artigos, entrevistas e discussões, e foi lançado em 2016.
Em sua carreira musical, já realizou shows em mais de 30 países, entre África, Ásia, América e Europa. Tem sete álbuns lançados em carreira solo. É o compositor mais gravado da música de Cabo Verde, com centenas de canções e colaborações com artistas como Cesária Évora, Mayra Andrade (Cabo Verde), Manu Dibango (Camarões) Touré Kunda (Senegal), Paulinho Da Viola, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Djavan, Mariene de Castro, Orkestra Rumpilezz (Brasil), Pablo Milanés (Cuba), Judith Sephuma (África do Sul), Wanda Baloyi (Moçambique), Oliver Mtukudzi (Zimbabué), Orquestra e Coro Gulbenkian (Portugal).
As editoras
A Solisluna Design Editora realiza projetos e ações que sensibilizam e levam à reflexão sobre diferentes realidades e modos de ver o mundo. Comprometida com a bibliodiversidade, publica romances, ensaios e estudos afro-brasileiros, publicações e catálogos institucionais, livros de arte e para as crianças e jovens.
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O Selo Emília é o núcleo editorial do Instituto Emília, organização da sociedade civil que atua na produção de conteúdos, na formação de leitores, na promoção do livro e da leitura.
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Foto: Jorge Simão
