Em meio à disputa judicial e política que reacendeu a briga pela abertura do Circuito Dodô, um conjunto de documentos históricos publicados pela Revista Exclusiva recoloca no centro do debate uma pergunta incômoda: afinal, quem inaugurou o percurso Barra-Ondina?
A resposta apresentada pela revista é direta — e sustentada por provas documentais: o Baby Léguas desfilou formalmente no trecho Farol da Barra–Ondina em 1987, antes da consolidação dos chamados blocos alternativos no circuito.
E mais: segundo a documentação reunida, essa precedência histórica ajuda a explicar um fato objetivo que atravessa décadas — o Baby Léguas segue sendo o primeiro da fila no Dodô ao longo dos anos.
Documentos de 1987 comprovam desfile estruturado no percurso
A edição nº 152 da Revista Exclusiva apresenta:
• Carnê original do Baby Léguas, datado de 1987;
• Alvará do Juizado de Menores autorizando o desfile;
• Contrato formal com atração musical;
• Registros fotográficos do cortejo no percurso Barra-Ondina;
• Documentação institucional da época.
O material demonstra que o desfile não foi evento isolado ou apresentação pontual. Tratava-se de bloco organizado, com trio elétrico, associados, estrutura formal e autorização oficial.
“O Baby Léguas inaugurou o desfile de bloco estruturado no trecho Barra-Ondina em 1987. Isso não é opinião, é documento. Está registrado”, afirma Clóvis Dragone, empresário e editor da Revista Exclusiva.
De acordo com a reportagem, o bloco desfilou sozinho naquele percurso por sete anos, consolidando-se como referência inicial do circuito antes da expansão e institucionalização posterior do Dodô.
Permanência na abertura da fila reforça precedência histórica
Em meio à atual guerra jurídica envolvendo a abertura do Circuito Dodô — que inclui decisões judiciais e manifestações públicas de Daniela Mercury — um ponto chama atenção: o Baby Léguas permanece historicamente como o primeiro da fila no percurso.
Para Dragone, isso não é coincidência administrativa. “A ordem de desfile ao longo dos anos não surgiu do nada. Ela reflete uma cronologia. Se o Baby Léguas segue sendo o primeiro da fila no Dodô, é porque existe um marco histórico anterior que sustenta essa posição”, declara.
A discussão atual sobre quem deve abrir o circuito reacende não apenas uma disputa operacional, mas uma batalha simbólica sobre origem, legitimidade e memória.
O que caracteriza oficialmente um bloco no Carnaval de Salvador
A própria reportagem resgata a definição clássica de bloco no Carnaval de Salvador: entidade organizada, com associados, cordas de isolamento, padronização visual e trio elétrico puxando foliões.
“Essa definição é central para o debate. Shows avulsos ou apresentações não configuram, tecnicamente, desfile formal de bloco dentro de um circuito consolidado”, destaca o empresário.
Disputa atual expõe guerra de narrativas
A recente decisão judicial que interferiu na ordem de desfile do Dodô reacendeu um conflito que vai além da logística do Carnaval. Está em jogo a narrativa oficial sobre quem deu o primeiro passo no percurso Barra-Ondina.
Enquanto artistas defendem trajetórias de décadas no circuito, a documentação apresentada pela Revista Exclusiva aponta um marco inaugural anterior, com registros formais datados de 1987.
Para Clóvis Dragone, o debate precisa sair do campo da tradição oral. “Se houver documento anterior comprovando desfile formal de bloco no Barra-Ondina, que seja apresentado. Até lá, o que existe é 1987. E isso está provado”, afirma.
Quem abriu o Dodô primeiro?
“Se a resposta depender de prova documental, a cronologia começa em 1987 — e ajuda a entender por que, décadas depois, o Baby Léguas continua na frente. No Carnaval de Salvador, posição na fila nunca é apenas logística. É história”, completa Dragone.
Foto: acervo bloco
