Nos últimos meses, o curador e gestor cultural Daniel Rangel, diretor do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BAHIA), assinou quatro grandes exposições no estado. Entre elas, a retrospectiva de Vik Muniz se destaca como o projeto mais ambicioso e estruturante do período.
A exposição, idealizada por Rangel e desenvolvida em diálogo direto com o artista, reúne mais de 200 obras e está em cartaz no MAC_BAHIA até 29 de março. A proposta curatorial partiu da ideia de construir uma grande leitura pública da trajetória de Vik Muniz a partir do Nordeste, decisão que rompe com o padrão histórico de inauguração de retrospectivas no eixo Sudeste.
Ao iniciar o circuito por Recife antes de chegar à Bahia, o projeto desloca simbolicamente o centro da narrativa artística brasileira e posiciona o Nordeste como ponto de partida de debates contemporâneos sobre imagem, materialidade e percepção, e não como etapa posterior de circulação.
Relação que constrói narrativas artísticas
A relação entre Daniel Rangel e Vik Muniz ultrapassa duas décadas de interlocução. Esse vínculo de longa duração permitiu a construção de uma narrativa curatorial consistente, reunindo obras históricas, recentes e inéditas em um percurso que evidencia o caráter experimental do artista, reconhecido internacionalmente pela forma como transforma materiais cotidianos em imagens de alta complexidade visual.
Além da mostra de Muniz, Rangel assinou no último ano a individual de Zéh Palito no MAC_BAHIA (19 de novembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026), a exposição “Okòtò – A espiral da evolução”, de Goya Lopes, no MAM Bahia (9 de abril a 10 de agosto), e “Alafiou”, de Alberto Pitta, também no MAM Bahia (28 de novembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026).
Foto Vik Muniz e Daniel Rangel: Ytallo Barreto
