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Neurocientista Sidarta Ribeiro em bate-papo sobre maconha e uso terapêutico

A livraria Terra Libris recebe o neurocientista e escritor Sidarta Ribeiro, para um bate-papo sobre o livro ‘As flores do bem: a ciência e a história da libertação da maconha’ (Fósforo Editora), com a mediação da ativista Mariana Feregueti. Será nesta sexta-feira, 3 de julho, às 19h30. 

Com a linguagem acessível que caracteriza a obra de Sidarta Ribeiro, a obra propõe combater a desinformação acerca da maconha. Dessa forma, mesclando história, cultura e depoimentos pessoais com rigor científico. Em ‘As flores do bem’, Ribeiro apresenta um breve histórico da erva milenar e descreve como os feitos coletivos humanos conseguiram domesticar uma planta de incrível versatilidade, cuja história se confunde com a de nossa espécie.

Diversos usos

Fosse cânhamo para produtos navais na Europa e teares na China ou unguento medicinal na Índia e na África, a maconha sempre esteve presente na sociedade e evoluiu conosco. Portanto, elevando a qualidade de vida da humanidade. Na longa história de interação entre a cannabis e o homem, as últimas décadas marcaram-se por um proibicionismo de motivações políticas. Nele, o racismo e o conservadorismo têm papel central, mas o avanço da ciência aponta para um novo capítulo. 

Depois de inúmeros estudos e descobertas relativas ao tratamento da epilepsia, o uso medicinal da maconha já não é mais um questionamento da ciência. E ainda há muito a se descobrir sobre as potencialidades da erva. Assim, ansiedade, depressão, Parkinson e Alzheimer são algumas das doenças curadas ou mitigadas com a cannabis. Por isso, é preciso conhecê-la ainda mais, sempre com a consciência de que tudo em excesso faz mal. Por sua vez e que, como toda droga, essa também tem seus grupos de risco. 

Além das prescrições medicinais 

Indicada principalmente para pessoas adultas e idosas, a erva vai além das múltiplas prescrições medicinais, podendo contribuir para a qualidade de vida também pelo uso recreativo. Poderosa aliada da criatividade e da ampliação dos sentidos, a maconha também pode ajudar no esporte, no sexo e até nos estudos e no trabalho. ‘As flores do bem’ não é, portanto, apenas um livro de divulgação científica: é a contribuição de um dos maiores cientistas brasileiros para um debate urgente, na forma de um libelo que busca romper preconceitos e abrir o diálogo. 

Com franqueza e humanidade, Ribeiro mostra como a maconha mudou os rumos de sua história familiar e de sua trajetória profissional e religiosa. E mesmo que seja uma exposição entusiasmada da cannabis, o autor não deixa de mencionar que nem tudo são flores. A guerra às drogas, a legislação inadequada, os preconceitos racial e moral discutem-se de modo certeiro, lembrando que por mais florescente que seja o futuro, há que se reparar as injustiças cometidas até agora. 

Debate é importante

“Para além de todos os riscos reais ou percebidos do consumo de maconha, é preciso discutir o maior de todos os perigos causados pelo amor às flores: o fato  de serem proibidas, o que cria riscos não apenas para os usuários, mas para todas as pessoas ao seu redor”, ressalta Sidarta Ribeiro. 

Sobre o autor

Sidarta Ribeiro é neurocientista e biólogo, pós-doutor em neurofisiologia pela Universidade Duke, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e membro do grupo de pesquisa de saúde mental do CEE Fiocruz. É capoeirista do grupo Capoeira Brasil e discípulo de mestre Caxias e Paulinho Sabiá. Publicou, entre outros, ‘O oráculo da noite’ (Companhia das Letras, 2019) e ‘Sonho manifesto: dez exercícios urgentes de otimismo apocalíptico’ (Companhia das Letras, 2022). 

Sobre a mediadora

Mariana Alves Feregueti é militante da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas, uma organização popular presente em 16 estados, que propõe um novo modelo de política de drogas, antiproibicionista, antirracista, anticapitalista, feminista, popular e antipunitivista. Coordenadora do projeto Horizontes do Cuidado. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFBA. 

Foto: Luiza Mugnol