Há quem diga que o blues e o candomblé nunca deveriam ter se separado. Afinal, os dois nasceram da mesma raiz – a diáspora africana, a dor transformada em ritmo, a resistência que vira arte. A Banda Terráquea passou décadas construindo exatamente essa ponte. No dia 5 de setembro, ela chega ao Circo Picolino, em Salvador. Portanto, para uma noite que promete ser muito mais do que um show: será um encontro entre mundos.
A parceria com o Circo Picolino não é apenas de palco. Antes do espetáculo, o projeto social Rádio Terra, iniciativa da própria Banda Terráquea que oferece aulas gratuitas de música e canto para crianças e adolescentes de escolas públicas e comunidades, realiza oficinas presenciais na sede da Associação Picolino de Artes do Circo, na Avenida Octávio Mangabeira, em Pituaçu. As atividades incluem aulas de gaita, percussão, canto e manutenção corporal, todas abertas ao público e com classificação livre. Alunos das oficinas também participam do espetáculo, subindo ao palco ao lado dos músicos da banda.
Múltiplas linguagens
O encontro entre as duas linguagens artísticas ganha ainda outro elemento especial durante o show. Assim, o elenco do Circo Picolino apresenta uma performance nos tecidos aéreos integrada ao espetáculo, unindo a música da Terráquea à arte circense em cena ao vivo.
No palco, Lon Bové, guitarrista e compositor norte-americano nascido em Cincinnati, às margens do Rio Ohio, indicado nove vezes ao Grammy e radicado na Bahia há décadas, comanda um espetáculo construído sobre o encontro entre o blues e os ritmos afro-baianos. Ao seu lado, Gabriel Bové, 22 anos, filho de Lon, divide vocais e composições. Ainda, a formação conta com nomes consolidados da música baiana. Dessa maneira, há Victor Brasil na bateria, Marcelo Rocha no baixo, Isaias Rabelo ao piano, Luiz Rocha na gaita, Ivanzinho Pacapuco na percussão afro e Janis Dominique, vocalista com voz marcante e trajetória nas artes cênicas e musicais de Salvador.
Abertura
Para este espetáculo, a Terráquea Horns, a tradicional seção de sopros da banda, abre espaço no palco para a participação dos alunos das oficinas e do elenco do Picolino. Dessa forma, sendo representada por Kiko Souza, um dos saxofonistas mais requisitados da cena musical baiana. Ele acumula passagens por grandes orquestras e ao lado de artistas como Caetano Veloso, Carlinhos Brown e Alcione.
O repertório é uma viagem. James Brown, Jimi Hendrix, Etta James, Nina Simone, Frank Sinatra, Tower of Power – clássicos que definiram o que a música popular pode ser – ao lado de composições autorais da banda, incluindo o single “Conde de Monte Santo”, que conquistou ouvintes em Lisboa e Porto.
“Das margens do Rio Ohio, onde cresci, até os terreiros e praias da Bahia – a Terráquea é o resultado de tudo que aprendi nos dois lados do Atlântico. Esse show no Picolino é especial porque não é só sobre música: é sobre o que acontece quando a arte circense, a comunidade e o blues se encontram no mesmo espaço”, diz Lon Bové.
Serviço
Show: Banda Terráquea
Data: 5 de setembro de 2026
Local: Circo Picolino – Av. Octávio Mangabeira, S/N, Pituaçu, Salvador/BA
Classificação: Livre – show para todos os públicos
Foto: San Junior (@sanfjunior)
