Veja qual doença atinge 2 milhões de brasileiros no auge da vida produtiva

Acordar com as mãos duras, sentir mais cansaço que o normal, ou perceber que o joelho dói mais para levantar da cama do que para caminhar depois – sintomas assim costumam ser normalizados. Vem o comentário do colega de trabalho, do parceiro, até do próprio paciente: “é estresse”, “é a idade”, “vai passar”. Para milhões de brasileiros, esse tipo de desconforto não é passageiro: é o começo de uma jornada que pode levar anos até um diagnóstico correto, enquanto a doença segue avançando silenciosamente nas articulações.

No dia 12 de outubro, Dia Mundial de Conscientização sobre a Artrite Reumatoide, especialistas reforçam um alerta que pode mudar essa trajetória: essa dor tem nome, tem causa identificável e tem tratamento. Quanto antes reconhecida, menor o risco de sequelas permanentes e maior a chance de a pessoa continuar trabalhando, cuidando da família e vivendo sem limitações.

Mais comum do que se imagina

Atualmente, no Brasil, a doença atinge cerca de 2 milhões de pessoas, segundo pesquisa do Instituto Nielsen realizada para a Pfizer e apresentada no 32º Congresso Brasileiro de Reumatologia. O levantamento mostra que 67% dos pacientes são mulheres, e que 37% delas recebem o diagnóstico ainda entre 18 e 44 anos: momento em que estão construindo carreira e, muitas vezes, criando filhos pequenos. Apesar de afetar tanta gente, a artrite reumatoide segue mal reconhecida: de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, quase metade dos casos (47%) não recebe o diagnóstico correto, o que atrasa o início do tratamento. 

O impacto no trabalho reforça a urgência do diagnóstico precoce: na mesma pesquisa Nielsen/Pfizer, 35% dos pacientes relataram interferência direta na vida profissional. Além disso, houve o número de 17% demitidos e 14% se aposentaram precocemente por causa da doença. Um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pelo Cepic e pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, comparando pacientes de quatro países latino-americanos, mostrou que o Brasil tem o maior índice de desemprego entre pessoas com artrite reumatoide: 6 em cada 10 pacientes brasileiros estavam sem trabalho, e 83% relataram dor e desconforto significativos no dia a dia.

“A artrite reumatoide costuma ser vista como uma doença de idoso, mas a realidade é bem diferente: muitos pacientes recebem o diagnóstico ainda na casa dos 30 e poucos anos, quando estão trabalhando, construindo a carreira e, muitas vezes, criando os filhos. Quando não identificada e tratada adequadamente, a doença pode interferir na rotina e comprometer a qualidade de vida”, explica a reumatologista Dra. Ana Luísa Souza Pedreira (RQE Nº 16028). 

Sinais para se levar em consideração

Identificar a doença cedo passa por reconhecer alguns sinais que a diferenciam de uma dor articular comum. A rigidez matinal é um deles: quando dura mais de uma hora para passar, pode ser sinal de inflamação. Na osteoartrite comum, o incômodo costuma se resolver em menos de 30 minutos, segundo especialistas ouvidos pelo Correio Braziliense. Outra pista é o comportamento da dor: diferentemente do que ocorre nas dores mecânicas do dia a dia, a dor inflamatória piora com o repouso e melhora com o movimento. Também merece atenção o padrão simétrico do inchaço, quando os dois punhos, os dois joelhos ou as duas mãos doem ao mesmo tempo, além de sintomas que vão além das articulações, como fadiga intensa, febre baixa e mal-estar geral. Sem tratamento adequado, a inflamação persistente pode causar dano articular permanente.

“Dor nas juntas que persiste por mais de seis semanas, que piora ao acordar e que aparece dos dois lados do corpo ao mesmo tempo não deve ser ignorada. Quanto antes a gente identifica a artrite reumatoide, maior a chance de controlar a doença sem deixar sequelas. Hoje existem tratamentos muito eficazes, mas eles funcionam melhor quanto mais cedo começam”, orienta a médica.

Sobre Dra. Ana Luísa Souza Pedreira

Dra. Ana Luísa Souza Pedreira é médica reumatologista (CRM-BA 25288 | RQE Nº: 16028) e doutora pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP). Ali, também atua como docente. Especialista no diagnóstico e tratamento de doenças reumáticas como artrite reumatoide, artrite psoriásica e espondilite anquilosante, dedica-se a ampliar o acesso de seus pacientes ao diagnóstico precoce. Além disso, ao acompanhamento multidisciplinar dessas condições.

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