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Uyara Nayri lança livro que celebra o afeto como tecnologia de bem viver

No dia 12 (quinta), às 18h30, a poeta, cantora e multiartista baiana Uyara Nayri lança o seu primeiro livro. Dessa forma, a obra, intitulada ‘Eu Quero Falar de Amor’, sai pela FB Publicações (Editora Caramurê). O evento acontece na Academia de Letras da Bahia (ALB), em Salvador. Haverá sessão de autógrafos, bate-papo e performance da autora.

Nascida a partir de um poema homônimo escrito durante o período de isolamento na pandemia, a obra reúne poemas-canção. Portanto, costurando literatura, música, performance e artes visuais, e dialogando diretamente com as vivências de Nayri nas ruas da periferia e nos trajetos dos ônibus cheios de Salvador. Ainda, nas escolas públicas e nas comunidades de axé. “Em ‘Eu quero falar de amor’, trago poemas da minha infância, poemas que escrevo desde o ensino médio, versos que interpreto nos ônibus de Salvador e canções consagradas nacionalmente, como na Premiação Luiz Melodia de Canções Afrobrasileiras da Fundação Cultural Palmares”, conta.

Info

Selecionada no programa de mentoria da Academia de Letras da Bahia em 2024, a escritora teve seu texto elogiado pelo mentor Ordep Serra. Na época, ele era presidente da ALB. O professor e antropólogo assina um dos textos da orelha: “Nayri foi, para mim, uma descoberta feliz. Revelou-se dotada de um lirismo natural e profundo que anima seus versos amorosos e de uma sensibilidade que lhe permite explorar, em especial, as riquezas do universo negro e feminino. Leitora infatigável, sempre sequiosa de novos conhecimentos, ela terá, não tenho dúvida, uma bela carreira como pesquisadora e escritora. Este livro dá uma prova da riqueza de tons, da delicadeza e do encanto de sua poesia”. Serra vai mediar o bate-papo na ocasião do lançamento.

A obra também é fruto de uma rigorosa pesquisa acadêmica desenvolvida pela escritora na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Por sua vez, no âmbito da antropologia da performance, também orientada por Ordep Serra. Expandindo os limites do formato impresso, o projeto ganha contornos de performance visual e instalação,  aprovado pelo Programa Ibero-americano de Artes Cênicas (Ibercena). Nele, a poesia se une ao som dos atabaques e a elementos simbólicos como a terra e as Sankofas, conectando a Bahia à África, e propondo a arte e o amor como pedagogias de enfrentamento às violências.

Artistas femininas celebram densidade lírica

Com fotografia de capa de Juh Almeida e ilustrações de Skarlati Kemblin, o livro traz textos de orelhas, capa e prefácio  assinados por nomes femininos importantes da cena artística e intelectual contemporânea. Juntas, elas celebram a densidade lírica e política da estreia de Uyara Nayri. Assim, há a antropóloga, ativista e poeta Shirley Campbell Barr (Costa Rica); a escritora, artista e curadora Kpingni Maureen (Costa do Marfim); a compositora, cantora e tradutora Tatiana Nascimento (Brasília), idealizadora do primeiro Slam das Minas no Brasil; e a multiartista poeta, escritora, atriz e produtora cultural NegaFyah (Bahia), criadora do Slam das Minas – BA.

Especializada em feminismo africano e cooperação internacional, Shirley Campbell  Barr destaca que a escrita de Uyara Nayri transforma o território negro em ninho, memória e travessia. “Como mulher negra e poeta, é para mim um privilégio dar as boas-vindas ao primeiro livro de Nayri… Este livro desafia as violências do cotidiano para semear afetos, cura e acolhimento. Com a sensibilidade das folhas e a força da água, a autora transforma o afeto em um território vivo de amor e resistência contra as violências que nos cercam”.

Indicada ao Prêmio Oceanos 2025, NegaFyah escreveu  o posfácio. “A poética de Nayri nasce de sua trajetória e carrega a experiência do Slam das Minas Bahia, onde foi campeã falando sobre amor. Isso importa porque ainda existe uma expectativa muito difundida sobre o que uma poeta negra, periférica e oriunda da cena do slam deveria dizer: violência, racismo, luta, dor. Como se nossa poesia só pudesse ser reconhecida quando denuncia e põe o dedo na ferida. Nayri escolhe partir em outra direção, entrelaçando as diversas maneiras de amar de nossas comunidades, porque compreende que também precisamos falar do desejo, do prazer, do cuidado, da ternura, da vaidade e da intimidade”, afirma.

Sobre a autora

Uyara Nayri é poeta, cantora e artista multidisciplinar baiana. Iniciou sua trajetória em slams, saraus e intervenções culturais nos ônibus de Salvador. É pesquisadora em Ciências Sociais pela UFBA, com foco na antropologia da performance e nas poéticas negras e periféricas da cidade. Publicou em antologias no Brasil e em Portugal, tendo sua canção ‘Mergulho’ premiada pela Fundação Cultural Palmares. ‘Eu Quero Falar de Amor’ é seu primeiro livro publicado.

Foto: Lane Silva