Desde 2010, a Solisluna Editora encanta leitores com a série ‘Lendas Africanas dos Orixás’, da artista visual Edsoleda Santos. Esgotada nas prateleiras das livrarias e no site da editora baiana, as obras trazem narrativas sobre os deuses africanos Exu, Ogum, Oxóssi, Xangô, Ibejis, Oxum, Iemanjá, Oxumaré, Obaluaê, Nanã e Oxalufã, e seus mundos sagrados. Dessa forma, a última delas foi lançada em 2023. Agora, em 2026, a coleção está de volta, completa, incluindo o inédito ‘Oiá-Iansã – Hepa Heyi!’, em homenagem à Rainha dos Raios. O projeto contempla também um livro digital com todas as histórias dos Orixás em e-book, disponibilizado no site da Solisluna. O lançamento acontece em 1º de agosto (sábado), na livraria Terra Libris (Cine Glauber Rocha), às 16h.
As histórias tiveram forte influência da herança ancestral de Edsoleda Santos, 87 anos, natural de Salvador, e que iniciou sua carreira como artista plástica em 1965. No baú de lembranças, as lendas e ensinamentos da bisavó Ebami Maria Augusta Pires, filha de escravizados e portadora de muitos saberes da cultura e religião africana.
O aprendizado, passado de forma espontânea, foi fundamental para a ilustradora, tanto no que se refere à sua formação pessoal quanto social e profissional. “Foi essa base que me fez abraçar a proposta da Solisluna Editora, criando uma série voltada para um público infanto-juvenil, divulgando para as futuras gerações esses conhecimentos sutis, inseridos nas metáforas da poesia das lendas, para a iluminação da alma”, destaca ela.
Para escrever os textos, Edsoleda se baseou ainda nas lendas coletadas por Pierre Verger entre os iorubás da Nigéria e do Benin. Autores como Síkírù Sàlámì, Roger Bastide, Cléo Martins, Lydia Cabrera e Mãe Stella de Oxóssi também foram fontes importantes para a sua pesquisa bibliográfica. Por sua vez, há também na obra os depoimentos de Mãe Branca de Omolú.
Deuses africanos e Salvador como cenário
Na coleção ‘Lendas Africanas dos Orixás’, os deuses são humanizados para mostrar seus feitos heróicos, possuindo afinidades entre africanos e baianos. Além das florestas e savanas africanas, a paisagem urbana colonial de Salvador é o cenário de muitas das histórias. Testemunha viva da chegada dos africanos escravizados, a primeira capital do Brasil presenciou o sofrimento e o desamparo causados pela diáspora.
Ao longo de sua vida profissional, Edsoleda pesquisou diversas técnicas, como bico de pena, aquarela, pintura em acrílico. Além disso, estudou temas de religião afro-baiana, procurando mostrar sempre a relação entre arte, candomblé e natureza. Artista premiada e pesquisadora incansável, ela não encontrou dificuldade em ilustrar um tema tão profundo.
Nesse novo momento, a Solisluna Editora, através do belíssimo trabalho de Edsoleda Santos, pretende ampliar a adoção das obras nas escolas. “Os conteúdos podem ser estudados e trabalhados com os estudantes, em leituras e oficinas, nos diversos campos de criatividade das artes visuais, dança, música, teatro e literatura, reafirmando a importância do legado cultural africano na formação de todos nós”, ressalta a ilustradora e autora.
Este projeto teve contemplação através dos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura da Bahia via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

Imagens: divulgação
